Part 2 - Os Sons que Escutam

Quem criou a vida talvez não teve um plano para a morte, pois todas as almas ficam boiando em volta da Terra em meio ao lixo e a radiação espacial. Estamos aqui, no vácuo parcial entre partículas de hélio e nitrogênio, poeira estelar, detritos e raios cósmicos.

 

Quando você chega é um caos porque ninguém fala a mesma língua. Mas quando se é um fantasma você tem tempo suficiente para aprender todas as línguas do mundo. “Bom dia” em latim vulgar, “como vai você? “em chinês e “Oi! Em que ano você morreu?” em ndebele do Norte.

 

Quase todas as pessoas que um dia viveram na Terra estão aqui. Então eles falam para você que não é possível voltar. Uma vez atingida a Termosfera você nunca mais consegue descer.

 

- Pense pelo lado positivo! Você é uma alma inquieta, um espírito curioso que tentou os limites do céu. Alguns nos chamam de A liga dos espíritos flutuantes, outros de Associação das almas do vácuo.

 

Clube dos não vivos do espaço exterior. Agremiação dos mortos do cosmo. Para qualquer um que você perguntar, vai obter uma resposta diferente. Ah Sim! Somos os Ex-terráqueos do espaço sideral. As denominações não têm fim. Somos bilhões.

 

Sou amigo de monges tibetanos, soldados da guarda pretoriana, piratas, camponeses infectados pela peste, burocratas, generais da guerra dos cem anos, jovens soldados mortos nas linhas de frente, poetas, malabaristas, revolucionários, índios tupis, cortesãs, navegadores, alquimistas, encantadores de serpente, cozinheiros, xamãs, dançarinos e mentirosos. 

 

Acho que vi Genghis Khan batendo um papo com Michael Jackson. Um cara disse que viu Jesus por esses lados. Nikola Tesla e Júlio Verne estão sempre perto da Estação Espacial Internacional, xeretando e dando palpites que não podem ser ouvidos por ninguém.

 

Quando se é um fantasma não se pode ter nada. Você é uma massa incorpórea e as suas mãos não conseguem envolver coisa alguma. Não poder carregar souvenirs talvez seja a principal característica dos fantasmas do espaço.

 

Para alguns, o lixo flutuante que escapa dos foguetes, dos satélites ou é derrubado pelos astronautas é o único elo que possuem com o mundo em que nasceram. No início você realmente estranha a comoção que uma chave de fenda pode causar.

 

Detritos diversos em órbita ganham os seus momentos de glória. Parafusos, luvas, placas de ferro, propulsores. Milhões seguem religiosamente um vibrador apelidado de O brilho do amanhã. Em uma comissão extraordinária convocada para investigar a procedência de um pedaço de pizza em órbita, Shakespeare defendeu que não devemos levar tão a sério questões do nosso pós vida, pois talvez seja tudo um sonho tolo, Cleópatra argumentou no sentido contrário, enquanto Sócrates questionou a legitimidade da corte. Confúcio pediu vista dos autos. As discussões devem continuar por muito tempo.

 

Meus avós e bisavós devem estar em algum lugar da infinita multidão. Depois de um tempo você desiste de procurar e simplesmente espera que estejam bem. Anaxágoras me disse que os espíritos dos animais orbitam a lua.

 

- Não é saudável guardar rancor por quem te fez conhecer o espaço. Você precisa perdoar aquela baleia – ouvi de Copérnico. Ao me virar de costas para os outros fantasmas via várias estradas de lixo espacial que se perdiam nos limites da visão.
Para que lado Marte deve ficar? Qual deve ser a estrada do Sol? E Vênus? Saturno? Seriam pavimentadas as estradas para Constelações e galáxias distantes?

 

Novamente pude me sentir atraído por uma força invisível que vinha do cosmo sem fim.

 

Antes de partir, um fantasma, que era ninguém mais do que Chorão, me disse: Pra que tem pensamento forte, o impossível é só questão de opinião.

 

Tá bom, é verdade.

Eduardo Brum

Eduardo Brum

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